TRANSPORTE DE GRÃOS ACOMPANHA AVANÇO DA SAFRA

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Modo ferroviário responde pela movimentação de mais de 42% das commodities agrícolas destinadas à exportação.

As ferrovias de carga têm um papel essencial no comércio exterior brasileiro e contam com uma participação crescente no volume transportado anualmente. No ano passado, mais de 91% dos minérios chegam aos portos pelos trilhos, por exemplo.

Os trens de carga respondem ainda pelo transporte de 42,6% das commodities agrícolas exportadas. No caso do açúcar e milho, esse índice é de 51%; o transporte ferroviário de farelo de soja e de soja corresponde a 34,7% do volume total que chega aos portos.

Há ainda boas perspectivas no segmento de contêineres, cuja movimentação cresceu, em 2022, mais de 165 vezes em relação ao início das concessões: as ferrovias associadas a ANTF transportaram no ano passado mais de 575 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), diante dos 3.459 registrados em 1997.

Porto de Santos

O modo também tem ampliado a sua participação no deslocamento de mercadorias até o porto de Santos, um dos principais portos do País e responsável por cerca de 12% da exportação brasileira. Em 2010, as cargas transportadas pelos trens com destino ao porto santista somaram mais de 19 milhões de toneladas, representando 30,1% das mercadorias que passaram pelos terminais do complexo portuário, destinadas à exportação, naquele período. Em 2022, chegou a 43,6 milhões de toneladas, 45,7% das cargas. No caso do açúcar, o porto de Santos foi responsável no ano passado pela exportação de 18,7 milhões de toneladas (72,6% da exportação da commodity do Brasil); 52,4% desse volume chegaram via trilhos (9,8 milhões de toneladas).

Com os novos e robustos investimentos das associadas da ANTF — especialmente os da Rumo, aprovados em maio de 2020 com a renovação antecipada do contrato de concessão da Malha Paulista, e que visam a mais do que dobrar a sua capacidade, de 35 milhões para 75 milhões de toneladas até 2025, e da MRS, assinado em 2022 com previsão de investimentos no acesso àquele porto —, os percentuais acima deverão aumentar consideravelmente. A expectativa é de que, em dez anos, o modal responda por pelo menos metade das mercadorias que chegam e saem do cais santista.

Seguindo a experiência bem-sucedida de grandes portos dos Estados Unidos, Europa e China, a saída para a superação dos gargalos logísticos será via ampliação do modal ferroviário.

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Cronologia:

Século XVII – Vagões de madeira, circulando em trilhos de madeira, são utilizados em minas de carvão do norte da Inglaterra.

1776 – Trilhos de madeira são substituídos por trilhos de ferro, nas minas de carvão de Shropshire, Inglaterra.

1801 – Autorização do governo inglês para exploração da primeira ferrovia de carga: a Surrey Iron Railway.

1803 – Início da operação na Surrey Iron Railway, ligando Wandsworth a Croyden, Inglaterra, com tração animal.

Emprego da tração animal em ferrovias

1804 – Richard Trevithick testa o emprego de locomotiva a vapor para substituir a tração animal, sem sucesso, pois essa máquina mostrou-se incapaz de subir pequenas rampas por falta de peso para produzir aderência.

1807 – Início da operação da primeira ferrovia de passageiros: a Oystermouth Railway, na Inglaterra, com tração animal.

1812 – Emprego de locomotiva a vapor, com rodas e um dos trilhos dentados (semelhantemente a uma cremalheira), na Middleton Railway, Inglaterra, para superação dos problemas de aderência.

1825 – Abertura ao tráfego da Stockton e Darlington Railway, Inglaterra, onde foi empregada uma locomotiva a vapor com razoáveis condições de tração e aderência, projetada por George Stephenson.

Locomotiva a vapor de Stephenson

1828 – Promulgada, no Brasil, a Lei José Clemente, que autoriza a construção de estradas no País, por empresários nacionais ou estrangeiros.

1830 – A Liverpool e Withstable Railway, Inglaterra, substitui toda a tração animal por locomotivas a vapor.